Posted on 02-11-2009

Em 1992, durante um típico  verão de Nova York, um calor  intenso a ponto de  derreter o centro  de Mnhattan e   Murray Hille… quatro homens,  jocosamente descritos como os Quatro Cavaleiros do Apocalipse,  conceberam  um plano de trabalho para preencher esses longos e lentos  dias de verão. Na verdade não havia muito a fazer. A primeira Guerra do Golfo havia “terminado”;  as sanções contra esse país já  estavam impostas;  Saddam Hussein ainda era presidente;  o povo iraquiano padecia  os efeitos de uma  guerra tal  como   hoje; o conflito Israel-Palestina ia continuar sendo  centro de palestras;  a independência de Porto Rico não tinha sido atingida (ainda)  e a  Coréia do Norte e o Irã não tinham dito nem essa boca é minha a respeito do uso de tecnologia nuclear. As coisas andavam  devagar. Pelo menos para alguns.

Tudo parecia tão completamente absurdo que causava riso, mas  estes quatro prossegiram,  dispostos a enfrentar os moinhos de vento,  armados apenas de seus ideais, seu papel e sua caneta. Para  muitos pareciam  completamente loucos, quase lunáticos,  dadas as circunstâncias extremas e tendo em conta o que eles enfrentavam. Para outros, o  incrível  era nunca antes havia sido apresentada esta questão em particular. Até o final do verão, justamente quando o outono chegava,  apresentaram  seu plano ante   a maior  audiência no mundo:  as Nações Unidas. E foi assim que  a Resolução 59/11 da Assembléia Geral das Nações Unidas  foi aprovada  no Outono de 1992.

A forma com que se  adotam as resoluções da ONU é bastante simples. Uma nação ou grupo de nações se reúnem, apresentam um projecto de resolução e o  corpo inteiro da ONU vota.  Se conseguir votos suficientes a favor, então o projeto entra no que é a Agenda das Nações Unidas para o   ano. Se  continua  recebendo  votos,  continua na agenda da ONU. Não é muito complicado, é basicamente um vai-vem – que  não é física nuclear. De acordo com os estatutos da Carta das Nações Unidas, os países  membros têm direitos e deveres, e uma dos seus deveres é  aderir ao processo democrático de votação da organização e  de seu Conselho de Segurança. Os Estados Unidos da América do Norte  é um país   membro fundador, tanto da  ONU como de  seu Conselho de Segurança e em numerosas ocasiões tem desfrutado dos  privilégios que isso  traz.

O que durante  dezoito anos pareceu  começar com um  progresso lento  veio rapidamente  tornar-se uma constante: a Assembleia Geral tem estado  votando  a favor da resolução 59/11 por mais de uma década, continuamente.  E a cada ano recebendo mais votos do que o anteior e perdendo  em  abstenções; com as mesmas duas nações votando  contra  e com um terceiro parceiro  rotativo   para completar a tríade do “Não”.

187 – 3 – 2

A votação deste ano sobre a Resolução 59/11, realizada em 28 de outubro, foi descrita pela mídia como “esmagadora maioria” a favor da resolução. Dos 192 Estados-membros da organização, 187 votaram a favor. Outros 3 -  Israel, Palau e os EUA -   votaram contra, e é aí que vem a maior piada  para os leitores que são fãs de Geografia -  as Ilhas Marshall e Micronésia decidiram  abster-se.

A Resolução 59/11 se  intitula  “Necessidade de pôr fim ao bloqueio  econômico, comercial e financeiro que os   EUA  tem contra Cuba” – uma maneira mais fina de se dizer:   bloqueio  dos EUA  contra Cuba.

Há  vários meses alguns se referem a ele  como o Bloqueio de Obama. Eu acho que não. Ele nem sequer tinha  idade suficiente para votar quando o absurdo castigo foi  implementado, embora, para dizer a verdade,  não foi  no ano  1996 que o presidente William Clinton, cumprindo os desejos da Fundação Nacional Cubano Americana e de alguns parlamentares, firmaria a  Helms Burton que  converteu o bloqueio em Lei.  Por esse tempo  Barack Obama tinha idade suficiente para votar, mas não vou condená-lo por isso e espero que você tampouco. 

A questão é a seguinte;  será o Bloqueio do Presidente Obama se após a votação de 28 de outubro   ele deixar  tudo  como está e não  fizer  nada para acabar com  50 anos de uma Guerra ilegal contra um povo humilde e pacífico do qual os EUA tem algumas coisas para aprender. Por exemplo, em matéria de Educação e Saúde ao alcance de  todos. Contra isso, os Estados Unidos da América do Norte  montou um bloqueio que equivale a um ato  genocida, de acordo  com a Convenção de Genebra para a Prevenção do Crime de Genocídio (9 de dezembro de 1948), que usa esta  definição, piorada  implacavelmente sob  o governo do presidente George W. Bush. 

A ironia é que, apesar de tudo isso, apesar de ser uma nação do Terceiro Mundo  e de  não poder comprar praticamente  nada no mercado mundial, tal como qualquer outra nação no mundo, esta ilha tem alcançado uma expectativa  de vida de 78 anos e as taxas de mortalidade infantil no nascimento que  são a inveja de qualquer nação do mundo desenvolvido.

Por isso,  exorto os leitores norte-americanos que insistam com seu  atual Presidente para  que ele  peça ao Congresso  que  repare esta injusta, insensata e internacionalmente condenada política que não leva a nada. Não permitam  que o trabalho árduo dos quatro cavaleiros  iniciais tenha sido em vão, durante aqueles  meses de verão. Não aceitem que esse presidente se converta no décimo chefe  administrativo responsável por mais um ano de castigo  cruel e injusto, pelo  simples desejo de independência e soberania,  algo que  aliás  os heróis da sua grande nação também conseguiram  através da temida  palavra: Revolução. 

 Margarita Alarcón Perea no cubadebate 

/

(0) Comments    Read More   
Post a Comment
Name:
Email:
Website:
Comments:

Bad Behavior has blocked 243 access attempts in the last 7 days.